Abril 2011
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Esta folha branca
me proscreve o sonho,
me incita ao verso
nítido e preciso.
Eu me refugio
nesta praia pura
onde nada existe
em que a noite pouse.
Como não há noite
cessa toda fonte;
como não há fonte
cessa toda fuga;
como não há fuga
nada lembra o fluir
de meu tempo, ao vento
que nele sopra o tempo.
Sei, entendo o que quer dizer. Por outro lado, se não os abrir, nunca vai saber se estou ou não, certo?
Acho que não tenho tanta coragem assim.
Claro que tem. Além disso, está esquecendo que minhas mãos estão dentro da banheira. Estou mexendo em suas costas. Se eu não estivesse aqui, não poderia estar fazendo isso, poderia?
Tudo é possível. Você pode ser uma outra pessoa, uma pessoa que só está fingindo ser David. Um impostor.
E o que um impostor estaria fazendo aqui com você neste banheiro?
Enchendo minha cabeça com fantasias indecentes, me fazendo acreditar que posso ter o que quero. Não é sempre que alguém diz exatamente o que você quer ouvir. Talvez eu mesma tenha dito essas palavras.
Talvez. Ou talvez tenham sido ditas porque quem as disse quer a mesma coisa que você quer.
Mas não exatamente. Nunca é exatamente, não é? Como a pessoa poderia ter dito as palavras exatas que eu tinha com a cabeça?
Com a boca. É daí que saem as palavras. Da boca.” —Paul Auster, em “O livro das ilusões”.
And when i was twelve years old my daddy took me to the circus the greatest show on earth and there were clowns and elephants, dancing bears, and a beautiful lady in pink tights flew high above our heads and as I sat there watching. I had the feeling that something was missing, I don’t know what but when it was all over, I said to myself — is that all there is to the circus? Is that all there is? If that’s all there is, my friends, then let’s keep dancing, let’s break out the booze and have a ball if that’s all there is.
And then i fell in love with the most wonderful boy in the world we’d take long walks down by the river or just sit for hours gazing into each other’s eyes. We were so very much in love and then one day he went away and I’d thought I’d die but I didn’t and when I didn’t I said to myself — is that all there is to love? Is that all there is? If that’s all there is, my friends, then let’s keep…
I know what you must be saying to yourselves — If that’s the way she feels about it then why doesn’t she just end it all?
Oh no. not me. I’m not ready for the final disappointment cause i know just as well as I’m standing here talking to you that when that final moment comes and I’m breathing my last breath I know what I’ll be saying to myself — is that all there is? Is that all there is? If that’s all there is, my friends, then let’s keep dancing, let’s break out the booze and have a ball if that’s all there is.” —“Is that all there is?”, composição de Jerry Leiber e Mike Stoller.
Que foi, o que você ficou aí pensando?
Ficou pensando que era inferior?
Ficou pensando que o Presidente era maior que você? o rico melhor que você? ou o educado mais sábio que você?
Por você ser gordo e cheio de espinhas - ou por ter sido alcóolatra, bandido, doente, reumático, prostituta - ou que está nessa agora - por algo banal ou impotência - ou por você não ser acadêmico, nunca ter visto seu nome impresso…só por isso você se acha menos imortal?
” —Walt Whitman, em “Canção às ocupações”.- Não acho que fosse possível conhecê-lo. Quero dizer: quando a gente afirma que conhece bem ou mal uma pessoa, está falando de segredos que foram ou não contados. Está falando de coisas íntimas, coisas de família, coisas de amor. O Dr. Hoenikker teve todas essas coisas na vida, como todo ser humano, mas não eram as mais importantes para ele.
- Quais eram as coisas mais importantes? - perguntei.
- O Dr. Breed sempre diz que a coisa mais importante para o Dr. Hoenikker era a verdade.
- A senhora não parece estar de acordo.
- Não sei se estou de acordo ou não. Só não consigo compreender como é que a verdade, por si só, pode ser suficiente para uma pessoa.” —Kurt Vonnegut, em “Cama-de-gato”.